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A Reitoria e o Politécnico (UFPR) como locais de resistência à ditadura militar

  • Foto do escritor: Emili Beatriz Julio
    Emili Beatriz Julio
  • 16 de jun. de 2025
  • 3 min de leitura

Olá pessoal, tudo certo? O texto a seguir falará um pouco sobre a resistência do movimento estudantil à ditadura militar, mais especificamente em Curitiba. Boa leitura! 😊


Imagem da "Batalha do Politécnico" (1968)
Imagem da "Batalha do Politécnico" (1968)

Muitas vezes em nosso cotidiano, na correria dos dias agitados, passamos por diversos lugares e nem nos damos conta do quanto de história cada um deles carrega. Você sabia que o Centro Politécnico e a Reitoria, ambos campus da Universidade Federal do Paraná, em Curitiba, foram fundamentais na resistência à ditadura militar?

De acordo com o trabalho do historiador Luiz Gabriel da Silva (2022), é evidente que os militares responsáveis pelo golpe de 1964 enxergavam a Educação como um campo de estratégia para aumentar o apoio da população às medidas colocadas em prática pelo regime. Nesse sentido, era notória a intervenção e influência estadunidense na educação brasileira, principalmente por meio do acordo MEC-USAID, firmado entre o Ministério da Educação (MEC) e a USAID (United States Agency for International Development). 

No Paraná e, mais especificamente em Curitiba, pode-se perceber a atuação da ditadura na educação por meio da figura de Flávio Suplicy de Lacerda, reitor da UFPR que foi escolhido para ser ministro da Educação no governo do general Castelo Branco. Essa medida visava, dentre seus objetivos, aumentar a repressão ao movimento estudantil e diminuir sua autonomia e campo de ação. 

Voltando ao acordo MEC-USAID, uma das medidas a serem implementadas no país era o estabelecimento do ensino pago nas universidades públicas, e a UFPR seria a primeira a adotar tal política - de início nos cursos de Direito e Engenharia. Isso gerou imensa indignação nos estudantes, que apontavam a prática como ilegítima e, permeados por um sentimento de revolta, iniciaram uma série de ações de protesto. Liderados pela Unidade Paranaense dos Estudantes (UPE), os manifestantes foram até o Centro Politécnico da UFPR na tentativa de impedir a realização do vestibular daquele ano. No entanto, forças policiais aguardavam os estudantes e houve confrontos violentos com a Polícia Militar, resultando na prisão de mais de 70 militantes. Essa ficou conhecida como a “Batalha do Politécnico”.

Líderes do movimento estudantil relatam ao historiador Luiz Gabriel da Silva que após as prisões de seus companheiros, houve fortes protestos com cerca de três mil estudantes na frente do local de encarceramento e que, após a soltura dos estudantes, eles voltaram a se organizar. Dessa vez, o palco de resistência foi a Reitoria da UFPR, que foi ocupada em oposição à implementação do ensino pago na Universidade. Na ocasião, o busto de bronze de Flávio Suplicy foi derrubado e arrastado pelo campus em forma de protesto - episódio parecido ocorreu no marco de 50 anos do golpe, em 2014, no qual estudantes retiraram o mesmo busto, que só foi recolocado no local alguns anos depois. Após algumas negociações com o MEC, mediadas pelo então governador do Paraná Paulo Pimentel, a vitória dos manifestantes: o ensino pago não seria mais concretizado! 

O ano de 1968 foi marcante em todo o mundo por ter sido extremamente movimentado, cheio de manifestações políticas e sociais em diversos países, e no Brasil não foi diferente. Hoje pudemos conhecer um pouco sobre dois locais que foram fundamentais na luta contra a ditadura, e é imprescindível que nos lembremos sempre daqueles que ousaram se levantar contra um regime violento, repressivo e cruel. Nesse sentido, o trabalho do historiador Luiz Gabriel da Silva é extremamente ilustre. O site Ditadura em Curitiba (https://ditaduraemcuritiba.com.br/), resultado de suas pesquisas no mestrado, reúne diversos depoimentos, fontes e textos acerca da ditadura militar na cidade. Foi com base nele que o presente texto foi desenvolvido, e deixamos aqui a indicação para todos que chegaram até aqui!


Emili Beatriz Julio


Referências Bibliográficas: 

DA SILVA, Luiz Gabriel. A revolta dos universitários na ditadura civil-militar em Curitiba: resistências e acomodações (1968). Revista Trilhas da História, v. 11, n. 22, p. 69-87, 2022.


DA SILVA, Luiz Gabriel. Ditadura em Curitiba. Página inicial. Disponível em: <https://ditaduraemcuritiba.com.br/>. Acesso em: 13 jun 2025.


Créditos da imagem: Edison Jansem / Gazeta do Povo, 30 mar. 2009.

 
 
 

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